Respostas rápidas e sofrimento emocional parecem caminhar juntos em um tempo que exige soluções imediatas para tudo. O avanço das ferramentas de inteligência artificial ampliou de forma significativa o acesso à informação. Hoje é possível organizar ideias, compreender conceitos complexos e encontrar explicações para quase tudo em poucos segundos. Esse movimento é irreversível — e não é, em si, um problema.
A questão que merece atenção não está no uso da tecnologia, mas no lugar que ela passa a ocupar, especialmente quando falamos de dúvidas emocionais.
Respostas rápidas e o lugar do pensar
Nem toda pergunta pede uma resposta imediata. Algumas perguntas pedem tempo. Pedem elaboração. Pedem a possibilidade de permanecer um pouco no não saber.
Quando falamos de respostas rápidas e sofrimento emocional, estamos tocando em algo que não pode ser resolvido apenas com eficiência. Nesse contexto, sustentar a dúvida pode se tornar desconfortável. É tentador recorrer a algo que organize rapidamente aquilo que está confuso, dolorido ou indefinido.
Quando terceirizamos esse movimento, corremos o risco de deslocar algo essencial: o trabalho subjetivo de pensar sobre si. Questões emocionais não funcionam como problemas técnicos. Elas não se resolvem apenas com lógica, informação ou explicação. Muitas vezes, o excesso de respostas pode até aliviar momentaneamente, mas também pode silenciar a experiência que precisava ser escutada.
Quando alguém passa a pensar por nós
Há uma diferença importante entre compreender algo e atravessar algo. Entender não é o mesmo que viver. E certas experiências — especialmente aquelas que envolvem escolhas, perdas, impasses e sofrimento — não podem ser feitas por outro.
Quando alguém ou algo passa a pensar por nós de forma constante, algo do sujeito corre o risco de se apagar. Não por incapacidade, mas por excesso de mediação. Pensar dá trabalho. Sustentar dúvidas dá trabalho. Assumir o peso de certas perguntas também.
Na experiência clínica, é comum encontrar pessoas que chegam cheias de explicações sobre si, mas com pouco espaço para sentir o que essas explicações tentam organizar. Há perguntas que não pedem solução, mas presença. Presença consigo, presença na relação, presença no tempo.
Esse é um trabalho que não pode ser automatizado, nem delegado.
Algumas coisas têm peso. E esse peso é do sujeito.





